terça-feira, 8 de dezembro de 2009


Uma gaivota, vítima da poluição de uma maré negra, confia o seu pequeno ovo a um gato chamado Zorbas, pedindo-lhe para cumprir três promessas: não comer o ovo; cuidar dele até nascer a gaivotinha; e, por fim, ensiná-la a voar. Zorbas pede então ajuda a três amigos (Colonello, Sabetudo e Barlavento) para tentar levar a cabo a estranha missão de cuidar da gaivotinha. Depois de passarem por muitos perigos para cumprirem as duas primeiras promessas, eles têm que recorrer a alguém muito especial para os ajudar a cumprir a terceira (ensiná-la a voar !) mas, para isso, têm que quebrar o tabu dos gatos...".
O grande escritor chileno oferece-nos neste seu novo livro uma mensagem de esperança de altíssimo valor literário e poético.


Esta é a história de um gato que se apaixona por uma andorinha causando estranheza em todos os outros animais que habitavam um parque. A Andorinha está prometida ao Rouxinol mas, ao mesmo tempo, incentiva o amor do Gato. Acontecem juras, o Gato escreve poemas, eles passeiam juntos enquanto as outras personagens condenam o amor impossível.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

UM ESPREITAR...

Um destes dias, entrei numa livraria e reparei nas últimas novidades literárias. Esta minha deambulação é habitual, pois fascina-me o ambiente livresco, o aroma do papel impresso, o som do folhear página à página e o toque subtil na capa deste ou daquele livro …Desta vez o meu olhar deteve-se languidamente no livro de Joaquim Magalhães de Castro, “Mar das Especiarias".
O título insinuante aguçou-me a curiosidade e... não resisti a espreitar.
A narrativa flui e fascina, pois o autor convida-nos a embarcar numa viagem com destino às ilhas Molucas, no arquipélago indonésio, seguindo a rota dos nossos antepassados. Estou desejosa de “embarcar” nesta aventura até uma cultura longínqua, exótica, mas muito próxima de nós...

sexta-feira, 15 de maio de 2009

"Casting" de Jordi Sierra e Fabra



Três jovens foram fazer um casting.Todos passaram a primeira eliminatória. Uma das raparigas, a Nica, era anoréctica e, na segunda eliminatória, desmaiou. A Pepa e o Eugénio desistiram do seu sonho para a ajudar...


Uma história arrebatadora que mostra o valor da AMIZADE.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

O PRINCIPEZINHO - uma História de Pequenas e Grandes coisas...

Apresentamos um excerto desse pequeno Grande Livro " O Principezinho" que nos revela o mais íntimo do ser humano que, cada vez mais, parece esquecer-se do que é mais importante na vida.
"Julgava-me muito rico por ter uma flor única no mundo e, afinal só tenho uma rosa vulgar...
Foi então que apareceu uma raposa .
- Olá, bom dia! disse a raposa.
- Olá, bom dia! - Respondeu delicadamente o princepezinho...
-Anda brincar comigo - pediu o princepezinho. Estou tão triste...
- Não posso ir brincar contigo - disse a raposa. - Ainda ninguém me cativou...
Andas á procura de galinhas? (diz a raposa)
Não... Ando á procura de amigos. O que é que "cativar" quer dizer?
... Quer dizer que se está ligado a alguém, que se criaram laços com alguém.
Laços?
Sim, laços - disse a raposa. - ...
Eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens necessidade de mim. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo e eu serei para ti, única no mundo...
(raposa) Tenho uma vida terrivelmente monótona...
Mas se tu me cativares, a minha vida fica cheia se Sol.
Estás a ver, ali adiante, aqueles campos de trigo? ... não me fazem lembrar de nada. É uma triste coisa! Mas os teus cabelos são da cor do ouro. Então quando eu estiver cativada por ti, vai ser maravilhoso! Como o trigo é dourado, há-de fazer-me lembrar de ti...
- Só conhecemos as coisas que cativamos - disse a raposa. - Os homens, agora já não tem tempo para conhecer nada. Compram as coisas feitas nos vendedores. Mas como não há vendedores de amigos, os homens já não tem amigos. Se queres um amigo, cativa-me!
E o que é preciso fazer? - Perguntou o princepezinho.
- É preciso ter muita paciência. Primeiro, sentas-te um bocadinho afastado de mim, assim em cima da relva. Eu olho para ti pelo canto do olho e tu não dizes nada . A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas todos os dias te podes sentar mais perto...
Se vieres sempre ás quatro horas, ás três já eu começo a ser feliz...
Foi assim que o princepesinho cativou a raposa. E quando chegou a hora da despedida:
- Ai! - exclamou a raposa - Ai que me vou pôr a chorar...
... Então não ganhaste nada com isso!
- Ai isso é que ganhei! - disse a raposa. - Por causa da cor do trigo...
Depois acrescentou:
- Anda vai ver outra vez as rosas. Vais perceber que a tua é única no mundo.
O princepesinho lá foi... - vocês não são nada disse-lhes ele. - Não há ninguém preso a vocês... - não se pode morrer por vocês...
... A minha rosa sozinha. vale mais do que vocês todas juntar, porque foi a ela que eu reguei, que eu abriguei... Porque foi a ela que eu ouvi queixar-se, gabar-se e até, ás vezes calar-se. Porque ela é a minha rosa.
E então voltou para ao pé da raposa e disse:
- Adeus...
- Adeus - disse a raposa. - vou-te contar o tal segredo. É muito simples:
Só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos...
Foi o tempo que tu perdes-te com a tua rosa que tornou a tua rosa tão importante.
- Os homens já se esqueceram desta verdade - disse a raposa. Mas tu não te deves esquecer dela.
Ficas responsável para todo o sempre por aquilo que está preso a ti. Tu és responsável pela tua rosa..."

Antoine De Saint-Exupery "O Principezinho"

Quem tem esperança, sempre alcança.


Por isso, recomendamos o livro " 35 quilos de esperança" de Anna Gavalda, por se tratar de um livro em que o protagonista conta a história na primeira pessoa e define a escola como “o princípio do pesadelo” da sua ainda curta vida. Um dia, porém, descobre que a motivação corresponde, proporcionalmente, à esperança que ainda tem de inverter os seus habituais comportamentos. A esperança pesa 35 quilos, o seu próprio peso. É, então, que…


Pois é caro(a) leitor(a)... se quiser saber o que acontece, sugerimos a leitura desta obra e não se esqueça de nos deixar aqui a sua opinião.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

1º de Maio


Quem canta...


Cantigas de Maio

Eu fui ver a minha amada
Lá p'rós baixos dum jardim
Dei-lhe uma rosa encarnada
Para se lembrar de mim

Eu fui ver o meu benzinho
Lá p'rós lados dum passal
Dei-lhe o meu lenço de linho
Que é do mais fino bragal

Eu fui ver uma donzela
Numa barquinha a dormir
Dei-lhe uma colcha de seda
Para nela se cobrir


Eu fui ver uma solteira
Numa salinha a fiar
Dei-lhe uma rosa vermelha
Para de mim se encantar

Eu fui ver a minha amada
Lá nos campos eu fui ver
Dei-lhe uma rosa encarnada
Para de mim se prender

Verdes prados, verdes campos
Onde está minha paixão
As andorinhas não param
Umas voltam outras não

Minha mãe quando eu morrer
Ai chore por quem muito amargou
Para então dizer ao mundo
Ai Deus mo deu Ai Deus mo levou



José Afonso

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Canção de embalar - José Afonso

«ROMANCE DO 25 DE ABRIL»

João Pedro Mésseder, pseudónimo de José António Gomes, escreveu este conto para as crianças, e também, para todos os portugueses que nasceram após a Revolução do 25 de Abril, há 35 anos. «Romance do 25 de Abril» tem ilustrações de Alex Gozblau, em tons de verde e vermelho tal como é a bandeira de Portugal. Este livro apresenta uma parte da História do nosso país “para que a memória não seja apagada e o fascismo não seja branqueado”.

Leiam pois, a história de um menino que cresceu, sofreu e lutou até que, já adulto, viu realizado o seu sonho - o da Liberdade, está-se mesmo a ver!

LIBERDADE






"E pelo poder de uma palavra

Recomeço a minha vida

Nasci para te conhecer

para te nomear.

Liberdade"


Paul Eluard, 1942

Canções de Abril




Há 35 anos atrás, adorava entoar esta canção!

Aparentemente, a temática era o amor e, na altura, não poderia compreender que «E depois do adeus», cantada na voz de Paulo de Carvalho, era uma canção de intervenção que serviu também de mote à revolução do 25 de Abril.

sexta-feira, 27 de março de 2009

Nesta Páscoa...


São os votos da equipa da nossa biblioteca escolar.

quarta-feira, 25 de março de 2009

Um texto do Professor Parrinha

Ainda a propósito da nossa exposição comemorativa do dia do mar, aqui deixo um excerto de um texto do professor Parrinha. É apenas o início, já que a sua versão completa estava na exposição:

O que diz a gota de água ao grão de areia?
O que diz o grão de areia à gota de água?

gota de água - De onde vens ó grão de areia?
grão de areia - Venho do mar e sou levado pelo vento.
gota de água - Não pode ser pois esse é o meu fado... Eu é que venho do mar e sou levada pelo vento. A estrela mãe liberta-me da minha manta, molécula a molécula e o vento vindo veloz cria-me no farto frio do céu.
grão de areia - Eu venho do fundo da terra, onde o calor me moldou e o tempo criou esta transparência perfeita pura e cristalina, tenho no sol o meu aumento e o meu brilho. E tu? Que és, que ofereces?
gota de água - Ofereço da luz todas as cores que se concentram em ti. E das cores te dou o sorriso do céu.
Sou vida, sou alegria, sou dor...
Sou o mar...
Sou o céu...
Sou o ar...
Sou o par...
E tu o que és?...


(...)

Joaquim Parrinha

quarta-feira, 18 de março de 2009

Na nossa Biblioteca:

"O Mar em exposição"
Está patente na nossa biblioteca uma exposição alusiva ao Dia do Mar. Trata-se de uma mostra de fotografias (muito belas, por sinal!) do fundo do mar. A exposição está também enriquecida com diversas conchas, carapaças, corais, esponjas, alcatruzes e equipamentos que pertencem ao nosso professor Joaquim Parrinha, que gentilmente nos emprestou para colocarmos neste espaço. Trata-se de uma colecção riquíssima que tivemos o privilégio de fruir antes de a mesma ir para a feira da Juventude em Sines. A ele e à professora Fátima Castelo, que colaborou acivamente nesta exposição, o nosso muito obrigado.

Deixamo-vos com algumas das fotografias do professor Parrinha:






“Dia do mar do meu quarto – cubo

Onde os meus gestos sonâmbulos deslizam

Entre o animal e a flor como medusas.

Dia do mar no ar, dia alto

Onde os meus gestos são gaivotas que se perdem

Rolando sobre as ondas, sobre as nuvens.

Dia do mar no ar”

Sophia de Mello Breyner Andersen

terça-feira, 10 de março de 2009

Livro para (começar) a LER...


Agora que os dias estão maiores, por que não aproveitar para "pôr a leitura em dia"?
O "vendedor de sonhos" pode ser um ponto de partida. Talvez este excerto vos desperte a vontade:
«Enquanto se desenrolavam esses acontecimentos no alto do edifício, apareceu sorrateiramente um homem no meio da multidão, pedindo passagem. Aparentemente era mais um caminhante, só que mal vestido. Trajava uma camisa azul de mangas compridas desbotada, com algumas manchas pretas. E um blazer preto amassado. Não usava gravata. A calça preta também estava amassada, parecia que não via água há uma semana. Cabelos grisalhos ao redor da orelha, um pouco compridos e despenteados. Barba relativamente longa, sem cortar há algum tempo. Pele seca e com rugas sobressaltadas no contorno dos olhos e nos vincos do rosto, evidenciando que às vezes dormia ao relento. Tinha entre trinta e quarenta anos, mas aparentava mais idade. Não expressava ser uma autoridade política nem espiritual, e muito menos intelectual. A sua figura estava mais próxima de um desprivilegiado social do que de um ícone do sistema.
A sua aparência sem magnetismo contrastava com os movimentos delicados dos seus gestos. Tocava suavemente os ombros das pessoas, abria um sorriso e passava por elas. As pessoas não sabiam descrever a sensação que tinham ao ser tocadas por ele, mas eram estimuladas a abrir-lhe espaço.»

8 de Março- Dia Internacional da Mulher



Para cada Mulher, aqui fica a nossa lembrança:

«nos momentos de incerteza
quando apetece fugir
e desistir da viagem
quando cansado de tudo
me sento à beira da estrada
e adormeço a coragem
são os teus gestos
mulher
que me chamam
para a vida
e sinto de novo a fúria
de desenhar um país »

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Efeméride


26 de Fevereiro de 1802, nasce, em Besançon, o escritor e poeta francês Victor Hugo, autor, entre outras obras, de Notre-Dame de Paris e Les Misérables.

«Julgar-se-ia bem mais correctamente um homem por aquilo que ele sonha do que por aquilo que ele pensa.»
in, Os Miseráveis

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

2009- Bicentenário do nascimento de Louis Braille


Não posso deixar de referir esta personagem que revolucionou a escrita e a leitura, restituindo a "visabilidade" às pessoas privadas da visão, de forma a poderem aceder à escolarização normal, à informação e a serem integradas na sociedade. Louis Braille (1809-1852), nasceu em Coupvray, na França e perdeu a visão aos três anos de idade. A sua excelente capacidade de aprendizagem, levou-o a ingressar, com apenas 10 anos no "Institut Royal des Jeunes Aveugles" de Paris. Na década de 20, do século XIX, Louis Braille termina o desenvolvimento da sua técnica de escrita e leitura que, com excepção de algumas pequenas melhorias, se mantém quase inalterável até aos dias de hoje. Numa ocasião, ele escreveu no seu diário: "Se os meus olhos não me deixam obter informações sobre homens e eventos, sobre ideias e doutrinas, terei de encontrar uma outra forma."


O braille é lido da esquerda para a direita, com uma ou ambas as mãos. Cada célula braille permite 63 combinações de pontos. Assim, podem-se designar combinações de pontos para todas as letras e para a pontuação da maioria dos alfabetos.

Em Portugal, foi elaborado um programa de comemorações, a decorrer durante 2009, com colaboração de várias entidades, entre as quais se destacam: Casa da Cultura da Câmara Municipal de Coimbra; Gabinete de Referência Cultural - Pólo Interactivo de Recursos Especiais (Direcção Municipal de Cultura da Cãmara Municipal de Lisboa), ACAP(Associação de Cegos e Amblíopes de Portugal) e Direcção Regional de Lisboa do Ministério da Educação.

António Aleixo faz hoje anos

António Aleixo nasceu em Vila Real de Santo António a 18 de Fevereiro de 1899, pelo que completaria hoje 110 anos. Apesar se ser quase analfabeto é o maior poeta popular do século XX.
Os seus poemas foram, na grande maioria, transcritos por Joaquim de Magalhães, professor de português.
Teve uma vida de pobreza e trabalho: foi tecelão, ardina, pedreiro e emigrante em França. No final da vida errava pelo Algarve a vender lotaria e a fazer quadras de improviso até que a tuberculose o consumiu.
Este homem do povo não se coibiu de ter as suas opiniões políticas e era um crítico da igreja católica. Talvez por esta razão não quis ter qualquer cerimónia religiosa no seu enterro, em 1949. Legou-nos as suas quadras, autênticas lições de vida, que se mantêm actuais e têm inspirados alguns músicos do nosso país.
Conta-se que um dia, quando andava a vender cautelas no Café Aliança, em Faro, discutiu-se na mesa dos "doutores" se se havia de chamar, como habitualmente, o Aleixo para "fazer umas quadras". Mas um dos ricaços, incomodado pela aprência miserável do poeta, terá dito:
- Hoje não, que o Aleixo parece um ladrão! - e sorriram os companheiros de mesa pela rima do ricaço.
Entretanto, na mesa ao lado, terão chamado o Aleixo para improvisar umas quadras. António Aleixo já estava, nesta altura, visivelmente consumido pela tuberculose, sendo que a sabedoria popular diz que o tuberculoso (ou tísico) apura o sentido da audição. Então o poeta, chegando-se a essa mesa, terá feito a célebre quadra:
"Sei que pareço um ladrão,
Mas há muitos que eu conheço,
Que sem parecer aquilo que são,
São aquilo que eu pareço."

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009


Para quem gosta de ler e ouvir poesia, aqui fica a indicação do blog da Andante - Associação Artística, Conta-me um conto que nunca contasses a ninguém. Clica num dos muitos autores disponíveis.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

2009 - Ano de DARWIN


Em 2009, comemora-se 200 anos do nascimento de Charles Darwin e 150 anos de publicação do seu livro "A Origem das Espécies".
Charles Darwin foi um dos mais importantes pensadores de todos os tempos. A sua teoria de evolução dos seres vivos representou uma grande mudança no pensamento biológico, além de influenciar outras áreas do conhecimento.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Poemas de Amor


Já se sente o aroma do amor no ar na nossa biblioteca...

Sugerimos a leitura deste livro, para que não falte inspiração ao deixar uma mensagem à pessoa que se ama.

«De todas as coisas existentes no universo / a que parece ser a mais sublime / é o amor. / Sem amor não há vida, / nem flores, / nem árvores, / nem sorrisos, / nem pássaros cantando, /
nem mãos se encontrando, / nem lábios se juntando... »

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

EFEMÉRIDE

A 31 de Janeiro de 1891, nasce, em São Vicente, Cabo Verde, o poeta português Luís Montalvor, pseudónimo de Luís da Silva Ramos. Pertenceu ao grupo modernista, tendo sido um dos fundadores da revista Orfeu.
Fernando Pessoa escreveu acerca deste poeta pouco conhecido:
" Há duas espécies de poetas — os que pensam o que sentem, e os que sentem o que pensam.
A terceira espécie apenas pensa ou sente, e não escreve versos, sendo por isso que não existe.
Aos poetas que pensam o que sentem chamamos românticos; aos poetas que sentem o que pensam chamamos clássicos. A definição inversa é igualmente aceitável.
Em Luís de Montalvor (Luís da Silva Ramos), autor de um livro de POEMAS a aparecer em breve, a sensibilidade se confunde com a inteligência — como em Mallarmé, porém diferentemente — para formar uma terceira faculdade da alma, infiel às definições. Tanto podemos dizer que ele pensa o que sente, como que sente o que pensa. Realiza, como nenhum outro poeta vivo, nosso ou estranho, a harmonia entre o que a razão nega e o que a sensibilidade desconhece. O resultado — poemas subtis, irreais, quase todos admiráveis — pode confundir os que esperam encontrar na originalidade um velho conhecimento, e no imprevisto o que já sabiam. Mas para os que esperam o que nunca chega, e por isso o alcançam, a surpresa dos seus versos é a surpresa da própria inteligência em se encontrar sempre diferente de si mesma, e em verificar sempre de novo que cada homem é, em sua essência, um conceito do universo diferente de todos os outros. E como, visto que tudo é essencialmente subjectivo, um conceito do universo é ele mesmo o próprio universo, cada homem é essencialmente criador. Resta que saiba que o é, e que saiba mostrar que o sabe: é a essa expressão, quando profunda, que chamamos poesia.
Não nos ilude Luís de Montalvor na expressão essencial dos seus versos: vive num mundo seu, como todos nós; mas vive com vida num mundo seu, ao passo que a maioria, em verso ou prosa, morre o universo que involuntariamente cria.
Palavras estranhas, porém verdadeiras. Como poderiam ser verdadeiras se não fossem estranhas? "
1927
Textos de Crítica e de Intervenção . Fernando Pessoa. Lisboa: Ática, 1980. - 155.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

A cor dos livros na nossa biblioteca


Que cor trazem as palavras nos livros?


Talvez a cor dos sonhos que povoam a nossa mente...

Evasões...



Sophia de Mello Breyner Andresen

Fábulas Faladas




No Mundo das Fábulas é uma página interactiva do Centro Nonio para ler e ouvir narrações, que inclui actividades para diferentes níveis de ensino.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Relembrando MIGUEL TORGA



Brinquedo

Foi um sonho que eu tive.
Era uma grande estrela de papel,
Um cordel
E um menino de bibe.
O menino tinha lançado a estrela
Com ar de quem semeia uma ilusão;
E a estrela ia subindo, azul e amarela,
Presa pelo cordel à sua mão.
Mas tão alto subiu
Que deixou de ser estrela de papel,
E o menino ao vê-la assim sorriu
E cortou-lhe o cordel.

Miguel Torga, Diário I, 1941

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Não à Indiferença


Aqui fica um pequeno excerto de uma crónica da autoria da professora Paula Rodrigues, que nos apresenta o seu olhar atento na busca de absurdos humanos - pessoas cada vez mais indiferentes na indiferença urbana.

" (...) A seguir à ribeira que ladeia a nova ponte (e que abre portas para mais um sinal da forte modernidade deste século em plena evolução - o TGV), lá se encontrava ele - um animal - este especial pela sua singularidade. Já vão saber porquê.
Era branco, um branco imaculado. Mantinha, embora, toda a candura e pureza da sua cor. Escorria-lhe pelo dorso, a água gelada deste dia de Inverno. Em pé, pescoço flectido, olhos mortos, ausentes, fixos no chão, ou quem sabe, em lugar nenhum, abandonava-se ao seu estado de dor e profunda tristeza. A posição dos membros deixava antever a dor da humilhação e do abandono, para lá das outras dores físicas e do cansaço. Junto aos seus quadris fundos, sobressaíam uns ossos cobertos pela alvura do pêlo molhado. Junto ao rosto caíam-lhe duas manchas profundas e escuras, de lágrimas negras que já lhe perfuravam a carne e abriam duas longas feridas.
Ali, abandonado à sua triste sorte e amarrado à corda da indiferença que lhe envolvia o pescoço, rendeu-se, impotente ao destino que o Homem lhe deu.
(...)"

Paula Rodrigues, in Não há Indiferença, 4 de Janeiro de 2009

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Novidade literária - "Pelas tuas mãos"


Este livro é a aposta de Ana Andrade, uma jovem estudante de apenas 15 anos, que acaba de editar o seu primeiro romance. Para além da prosa, dedica-se também à poesia e tem participado em diversos concursos relacionados com a escrita e com a literatura, tendo chegado à final da edição de 2008 do Concurso Nacional de Leitura.
Trata-se de uma escrita embrionária, mas repleta dum humanismo muito profundo.
Boa leitura!